Ópera Garnier & um pulinho ali no passado

Neste postal: finalmente fui conhecer por dentro um dos meus prédios favoritos na França! De quebra, aprendi um pouco sobre os costumes da alta corte na época do Império de Napoleão III, onde o que importava não era o show, mas ser visto! Tem poleiro, lustres e muito exibicionismo. Vem!

ópera garnier

Essa visita tem lustres, poltronas bordeua e um poleiro. Isso mesmo! Foto: Camila Marquim.

A visita guiada é beeem legal! Eu acho que so tem em françês e em inglês, então se você  fala uma das 2 linguas, recomendo muito!

Se você não domina nenhum dos 2 idiomas, eu vou fazer aquele resumão básico, simbora?

A Opéra e Napoleão III

Minha guia contou que o prédio da Ópera surgiu da necessidade de de Napoleão III de ter um lugar que atendesse às exigências de um imperador naquela época. Ele queria um lugar seguro pra onde pudesse ir ver sua Opera. Então ele lança um concurso entre os arquitetos pra ver quem ganharia. O Jovem Garnier, que não era ninguém nessa época nem era tão conhecido assim, leva a disputa e é ele quem assina o prédio.

ópera garnier

Do chão ao teto tudo é uma lindeza sem fim! Foto: Camila Marquim.

Inclusive tem uma parte bem legal em que a guia mostra onde ele deixa sua assinatura  no prédio de forma disfarçada. A explicação é que não era hábito assinar um prédio quando você o construiu por ter ganho um concurso. Garnier, esperto que era, dá os seus pulos e deixa sua assinatura enorme no interior do prédio de forma escondida. (Não conto nem sob tortura onde fica a assinatura do rapaz).

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Num falei que era até o teto que tudo era lindo? Foto: Camila Marquim.

Durante a visita a guia vai mostrando algumas partes da Ópera que cumprem a função de dar segurança à Napoleão. Agora vem a melhor parte de todas: o próprio Napoleão nunca pisou na opera! Kakakaka

A sala de espetáculos – onde o que menos importa é o espetáculo.

A sala de espetáculos é um luxo só e tudo foi pensado nos mínimos detalhes. Mas segundo a guia, uma coisa é importante de saber: na época em que as pessoas iam à Opera não era pra ver o espetáculo: era pra SER o espetáculo. Explico-me: o objetivo era se mostrar, ser visto. E isso muda tudo!

ópera garnier

A foto não é a melhor do mundo, mas dá pra ver beeem a cor das poltronas bordeau. Antes de Garnier, a cor utilizada era o azul! Foto: Camila Marquim.

A cor das poltronas é um vermelho bordeau pra dar uma tonalidade rosada à pele das belas damas. Os melhores camarotes eram situados ao lado do palco (inclusive o do imperador), não que desse pra ver melhor de la, mas como o importante era ser visto…

Luzes, câmera, ação! não, pera!

Um dos pontos mais interessantes é quando a guia explica o funcionamento do lustre da sala de espetáculos! Ele pesa horrores e na época em que a Opera foi inaugurada já se usava a iluminação à gaz. O problema é que são mais de 300 lâmpadas!

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Ele é um dos destaques da sala de espetáculos, ele é… O lustre! Foto: Camila Marquim.

Então antes de cada espetáculo, os empregados da Ópera levantavam o lustre, acendiam suas 300 lâmpadas e depois o recolocavam na sala. Imagina se na hora do espetáculo eles iam apagar as lâmpadas pra reascender quando o intervalo chegasse? Então era hábito na época as luzes ficarem acesas. E isso vinha beeem a calhar, convenhamos: se o objetivo era ser visto, melhor com as luzes acesas mesmo!

O poleiro

Antes, no intervalo e depois do espetáculo, todos iam pro salão que é maravilhoso e suuuper exuberante em tons de ouro! E também ficavam ali pelas escadas do grande hall.

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O salão principal do prédio lembra muuuito um outro salão de festas famoso por essas bbandas: o salão de espelhos de Versailles. Foto: Camila Marquim.

 

Pois bem, no último andar da sala de espetáculos, ficavam os que seriam menos vistos, claro. E no grande hall eles também ficavam nos andares mais altos. E aí imagina tu pobre. Aí tu junta tuas economias e vai dar um pulinho ali na Ópera. Claaaro que você não tem grana pra área VIP então você fica no mais baratinho. Lááá no último andar. E no intervalo você vai até o hall central e vê Leonardo de Caprio, Madonna, etc… (Escolha a celebridade que você quiser). Então todos os pobres ficavam loooucos cochichando lá no último andar e…

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Nessa área ficavam os ricos pra serem vistos. E láááá em cima, a galera do poleiro. Foto: Camila Marquim.

… E eis que surge o nome poleiro porque tinha um barulho que vinha do último andar que lembrava o das galinhas num poleiro.

Mas não é só isso não, amigo!

A visita tem mais meio mundo de coisas interessantes, mas eu vou deixar a surpresa pra você ir lá e conferir com seus próprios olhos, ok? Tá, conto só mais uma coisa: tem uma sala que seria a sala dos “refrescos”. Ela é o máximo com várias peças de tapeçaria que são tão rebuscadas que você pensa estra diante de uma pintura. E cada uma delas tem uma moça que representa algo diferente que você toma ou come nessa sala. Tentem adivinhar quais eram os comes e bebes que elas representam

;)

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Entre cada uma dessas janelas tem uma tapeçaria representando uma comida/bebida diferente. Foto: Camila Marquim.

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1 Resultado

  1. Sandra Marquim disse:

    Muito legal!! Visitei sem guia e fiquei encantada, com todas essas curiosidades e informações fica bem mais interessante. Agora deu vontade de voltar lá e a culpa é sua kkkkk