Os alemães, uma atração à parte em Colônia

Neste postal: que catedral que nada! Pra mim a grande marca de Colônia foi a simpatia dos alemães. Pela qual eu não esperava. Mas peraê: por que eu ‘não esperava’ isso deles?!?!

colonia alemanha

No fim de semana que fui à Colônia a cidade estava tendo um festival de fogos de artifício. Todo mundo na grama pra esperar escurecer e ver o show. Foto: Camila Marquim

A cidade de Colônia tem gente super simpática ou eu que dei sorte de só cruzar com gente boa. Desde que pus meus pés em Colônia que recebi uma chuva de olhares simpáticos, sorrisos abertos e muita muita muita gentileza. Da senhorinha que me viu com cara de completamente perdida (minha expressão facial totalmente em acordo com meu estado mental diante daqueles nomes alemães gigantes) e veio até mim perguntar se eu queria ajuda. Do rapaz que interrompeu a apresentação do guia que eu fazia um passeio pra dizer que a catedral de Colônia não era o maior prédio da cidade em uma dada época e sim ele mesmo. E saiu desejando uma ótima estadia em Colônia. E finalmente, só pra dar mais um exemplo, do rapaz que estava deixando o metrô e segurou a porta até eu entrar enquanto eu tentava loucamente comprar um bilhete na máquina e via o metrô fechando tudo sem mim lá dentro. Vocês fizeram meus dias mais alegres em Colônia. Sei que eles nunca vão ler isso aqui (afinal eles falam alemão e qual a probabilidade de eles chegarem até meu blog?, né?!), mas eu queria deixar registrado o meu muito obrigada à todos eles!

Eu sempre tive aquele impressão que os alemães são chatos e fechados e frios e horríveis e grandes e feios e fazem caretas e… e… e… Tudo bobagem!

Eu vou além de Colônia (a única cidade alemã em que estive) e posso estender minha impressão sobre alemães (reparem que no parágrafo anterior eu usei ALEMÃES) pra todos eles e não só as pessoas de Colônia, que essas sim tem fama de serem bem simpáticas e acolhedoras. Juro! Palavras do meu guia que nem alemão era, mas mora na cidade há 6 meses e também estava encantando com a hospitalidade.

E eu falo isso porque desde Barcelona que encontrei alemães (dois caras fantásticos André e Julien) e no albergue que fiquei em Colônia adivinha quem eram meus companheiro de quarto?! Alemães. Todos de lugares diferentes do país e pessoas super simpáticas e gentis. Todos que vi em Colônia também muito gentis, como vocês viram nos exemplos que citei.

Minha experiência com todos os alemães que conheci até agora sempre foi super positiva. Exceto quando os companheiros de quarto chegaram as 4 da manhã bêbados no quarto fazendo um barulho infernal e nem aí pro fato de que havia aguém, euzinha, dormindo. Achei eles sem noção, fiquei puta da vida, mas como lidar com bêbado alemães? – me perguntei naquele momento. Resolvi levantar e mostrar que havia sido acordado por meus nada discretos companheiros de quarto ao invés de rosnar um ‘ei, tem gente dormindo aqui!’. Eis que eles vem com mil desculpas dizendo que estavam bêbados e se oferecem pra me trazer algo do mercado. Voltam com uma garrafa d’água de 2L, um pedido de desculpas e um convite pra ir conhecer a cidade deles no dia seguinte, havia uma vaga no carro.

Eles, que eu apelidei de ‘german 1, 2, 3 e 4’ na penumbra do quarto às 4 da manhã que eu não estava nem um pouco afim de decorar nomes alemães complicados, eram os caras mais sem noção do mundo, mas ainda assim muito gentis e simpáticos.

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A paisagem mais famosa de Colônia: essa ponte e a Catedral ao fundo. Foto: Camila Marquim.

Claro, óbvio e ululante (adoro essa palavra!) que cada um tem um padrão de ‘simpatia’ (o que é simpatia pra você, pode não ser pra mim, e vice-versa) e pode cruzar com gente chata e desagradável em tudo que é lugar.

O que eu quero dizer é que a minha expectativa sobre os alemães (aquela deles chatos e blá blá blá…) nunca se provou verdadeira.

Mais: o que quero dizer é que é um alesamento (atenção, vocábulo nordestino significando abestalhamento) eu perder meu tempo tentando desvendar, prever ou rotular como são os alemães e soltar frases do tipo: “nossa, pra um alemão, você é muito legal!”. Tsc, tsc, tsc, que coisa feia, Camila! Vergonha de mim mesma define.

A bobagem de ficar catalogando gente pelo lugar onde nasceu – minha teoria.

É muita bobagem a gente ficar catalogando as pessoas pela nacionalidade delas e fazendo pré-julgamentos. E é muito natural fazer isso, é quase tão simples como respirar, né não?! Mas ao mesmo tempo é bobo a gente se deixar guiar por essas tentativas de captar a complexidade que é o ser humano em algumas palavras. Alemães são ‘isso’, franceses ‘aquilo’, brasileiros ‘assim’, chineses ‘assado’. Isso é de um reducionismo extremo e grosseiro. Explico.

Primeiro porque é muito complicado você analisar um povo de forma imparcial. Você sempre parte do seu ponto de vista pra analisar o outro e você só está vendo um pedacinho do que é o outro. Você entende o outro à partir de você, dos seus valores. E aí é fácil cair no lugar-comum tipo: franceses são impacientes porque eles se irritam quando você bloqueia a passagem da esquerda numa escada rolante.

Sim, beleza, mas tu parou pra analisar que na cultura dele as pessoas não gostam de incomodar o outro e isso pode ser algo legal?! Tu parou pra observar que eles tem um respeito extremo pelo espaço do outro? Veja que estamos analisando o mesmo fato, mas se eu olho e analiso com a minha lógica o resultado pode ser bem diferente se eu tentar entender a forma como eles agem. E por que raios a minha forma de analisar é melhor que a dele e me permite fazer julgamentos  generalizantes como: são chatos, são frios, são cordiais…?!

Se eu pegar o exemplo dos gemans 1, 2, 3 e 4, eu posso muito bem analisar a situação como: que mal-educados e sem noção falando alto num quarto de albergue e acordando as pessoas às 4h da manhã! Sim, pra maioria de nós brasileiros, isso é bem mal-educado. Mas se eu fizer o exercício de pensar ‘à la alemã’, e lançar hipóteses, de repente eles são pessoas muito expansivas e que fazem barulho porque gostam de falar e se comunicar e chegar num quarto de albergue falando e conversando alto às 4h da manhã não seja visto como algo grave. Vai saber…

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Talvez a língua, com uma sonoridade que pra gente é agressiva, contribua pra essa ‘fama’ de frieza deles. Tudo bo-ba-gem! Foto: Camila Marquim.

Em segundo lugar, pessoas são pessoas e cada uma é de um jeito. Mesmo que nacionalidades possam dar indícios sobre formas de ser e apontem conjuntos de caraterísticas (que nem sempre são verdadeiras, mas sim clichés) cada ser humano é especial e único.

Um compromisso: prestar atenção pra gente não ficar rotulando os seres humanos

Então bora combinar que a gente vai tentar (eu sei que é difícil, e como sei!) não ficar colocando rótulos nas gringalhadas?! O máximo que a gente vai dizer é: com as pessoas de tal nacionalidade que eu encontrei, eu senti isso. Porque aí a gente restringe o comentário ao que a gente viveu (meu sentimento que é só meu) com certas pessoas.

Então bora, combinado! Pra começar a praticar, me lanço:

Gente, eu senti que todos os alemães que eu cruzei e conheci até hoje são pessoas super simpáticas e gentis!

E atalho: e vocês deviam ir à Alemanha conhecê-los! Eles são uma atração à parte!

Fiquem ligados, que em breve eu mando mais postais contando minhas peripécias na Alemanha. Até, já já! ;)

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1 Resultado

  1. Sandra Marquim disse:

    Bela reflexão !